Olá, leitores e leitoras do meu coração, me deu vontade de postar algo que vem me incomodando há algum tempo. Então, sentem-se, acomodem-se, boa leitura e espero que gostem.
No início de setembro eu comecei a escrever uma crônica sobre o "Setembro amarelo", porém acabei não terminando e como hoje está sendo um dia que tô me sentindo no meu pior momento, venho com essa crônica, concluída finalmente, com algumas modificações para se encaixar ao presente e que serve de alerta, mesmo fora do mês de setembro, já que todos os meses do ano pessoas morrem ou se matam com depressão, ansiedade ou outras doenças semelhantes.
Setembro amarelo, uma campanha de conscientização sobre o suicídio e "a importância da vida". Para mim, que já sentiu e ainda sente essa dor do vazio no fundo do peito e a extrema vontade de simplesmente morrer para não sentir mais aquela dor tão dilacerante, setembro amarelo é uma grande hipocrisia. Sabe por quê? Eu explico.
Uma pessoa suicida e depressiva não vai deixar de ser suicida e/ou depressiva só porque você, pessoa que NUNCA conversa com ela, postou no facebook, instagram ou no status do whatsapp frases como: "estou com você", "quero você vivo(a)", "cuide-se", "valorize-se", "valorize a vida" ou qualquer uma dessas frases motivacionais e de valorização à vida. Uma pessoa depressiva não quer ler esse tipo de coisa e sim: "você é importante para mim", "você não está sozinho(a) porque tem à mim", "não vou desistir de você como você também não pode desistir de você", "aonde estiver estarei ao seu lado", entre outras frases positivas mas não exatamente "motivacionais", que para pessoas depressivas não têm efeito algum benéfico. E detalhe: não é apenas dizer essas palavras positivas, conversar brevemente, se mostrar interessado e depois nunca mais conversar, também não ajuda.
Pessoas depressivas ou que estão perto da depressão muitas vezes precisam de uma companhia diária, esse é o problema do mundo atual. Nada dura muito tempo. Amizades, namoros, casamentos, relações que parecem que vão durar anos, não duram meses. E isso acaba com uma pessoa que já viveu a maior parte da vida sem amigos e sempre sentindo que está sozinha, que não pode contar com ninguém, nem mesmo com a família e quando pensa que fez amigos de verdade, se vê sem ninguém mais uma vez.
Pessoas depressivas, com ansiedade e pensamentos suicidas querem motivos para não tirarem sua própria vida. Pessoas depressivas querem uma luz no fim do túnel, qualquer coisa que a faça ter vontade de sonhar, de pensar em dias melhores, em acreditar que nem tudo está perdido, que nem todo mundo a odeia ou não a suporta, que alguém chegue nela e ajude a se levantar do seu poço de tristeza, angústia e desolamento, onde se sente sozinha, perdida, não amada e sem importância pras pessoas ao seu redor como família e amigos.
Pessoas que se sentem sozinhas, que vivem deprimidas, nem sempre será uma pessoa depressiva ou suicida. Muitas pessoas infelizmente vivem tristes com elas mesmas mas mesmo assim se mostra feliz e vivendo normalmente, buscando seus sonhos e objetivos de vida. Mas outras, nem isso. Eu dou um exemplo:
Uma garota, 18 anos. Desde os 6 se sente sozinha e sem amigos, desde que sua "melhor" e única amiga de escola se mudou pra outra cidade e seu avô materno faleceu, aquele que era tão importante pra ela.
E até os 13 nunca sentiu que teve amigos de verdade, que pudesse conversar sobre tudo, apenas colegas de escola que passavam do portão pra fora e já não eram nada uma das outras.
Quando se mudou de cidade, manteve contato com uma pessoa, tão especial, tão incrível, que se mostrou uma grande amiga à distância mesmo depois de morarem na mesma cidade. Na escola nova, mais "colegas" e no finalzinho do ensino fundamental, duas colegas que se tornaram grandes amigas, as melhores.
De novo, em outra escola, manteve contato com as três anteriores e se aproximou de outras mais, porém também apenas colegas que se tornaram muito importantes para nossa protagonista. E mais uma vez, agora no último ano do ensino médio, em outra escola, agora na mesma daquelas duas lá atrás, foram as que mais foram presentes nesse ano de encerramento escolar.
Tantas pessoas. Tantas colegas que viraram amigas. Mas no fim? Apenas pessoas. Pessoas que se considera importante mas na hora da crise, do choro, do aperto no peito, do desespero interno de querer se libertar... está sozinha, como sempre.
De eu mesma,
@malinesg
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