Verdades que machucam

Olá, leitor(a) do meu coração, vim trazer mais uma vez uma crônica. Então, sente-se, acomode-se, espero que goste e boa leitura.

Havia uma família: a mãe e suas três filhas. A mãe por ser sozinha, sempre trabalhou e se esforçou para dar o melhor para suas meninas, tendo apenas a ajuda de seus pais. Já as meninas, ao crescerem demonstravam dificuldades de conviver uma com as outras. A mais velha era a que "mandava" nas mais novas. Se ela falava algo, devia obedecer, se não, era briga na certa; a do meio, obedecia a mais velha e mandava na mais nova, a que ela mais tinha problemas, já que dividiam o quarto; e a terceira, bem, era a caçula, né? Tinha que fazer o que as mais velhas queriam para não ter brigas, mesmo muitas vezes não aceitando ser mandada.

Os anos foram se passando e mesmo quando todas já eram "bem crescidinhas", as brigas só aumentavam de intensidade. A mais velha das irmãs, fazendo faculdade e trabalhando, ainda não conseguia se dar bem com as irmãs, principalmente a caçula que vivia tendo problemas com as duas mais velhas e tendo brigas sérias a ponto de saírem machucadas, tanto fisicamente quanto psicologicamente. Foi quando a do meio saiu de casa. Foi algo muito inesperado. Ninguém a viu sair. E depois se manteve distante da família daí em diante. Aquela família estava mais "distante" do que nunca.

As irmãs que ficaram com a mãe ainda não se davam bem em nenhuma circunstância. E só piorou quando a mãe também começou a se desentender com a mais nova e às vezes até com a mais velha. Mesmo que no final tudo parecesse bem, pelo menos da mãe para as filhas, uma delas estava pior, psicologicamente e emocionalmente. Todas sofriam, em silêncio, com aquela "relação" que tinham uma com as outras, mas quando a ultimogênita, tentou fugir de casa, tudo só se mostrou que estava pior do que imaginavam. Depois de mais de um ano, a mãe decidiu levá-la para fazer terapia. Nada estava bem naquela família, mas foi a mais nova da casa que recebeu ajuda profissional. 

'Todo mundo' diz que os pais querem o melhor para os filhos, mas às vezes, eles querem fazer do jeito deles que os filhos não entendem e não concordam. Isso gera conflitos entre os familiares e só se resolve quando todos conseguirem falar o que pensam e sentem abertamente para todos os envolvidos. Coisa difícil de se fazer atualmente, quando os filhos e os pais vivem tão distantes uns dos outros mesmo estando na mesma casa e convivendo diariamente. 

Os pais não conhecem mais seus filhos e vice-versa. Adolescentes e até crianças de hoje em dia, têm dificuldades para falarem o que pensam e sentem para os pais e isso, só os faz ficarem mais longe entre  si.

Eu não sou mãe e nunca tive um pai por perto pra dizer como é ter esse papel de cuidar de outra pessoa, mas uma coisa eu sei: o lado da filha mais nova. A que menos sentiu ou entendeu quando perdeu o avô materno, já que tinha apenas 5 anos de idade e ninguém lhe explicava muito bem o que estava acontecendo. A que mais se fechou pro mundo, se tornando solitária na infância e adolescência, não vivendo "aquela fase" de sair com os amigos e  se divertir sem pensar nas consequências. A que passou a maior parte da vida, querendo ter uma mãe mais próxima e irmãs com quem dividir segredos e chamar de amigas. A que se agarrou à música e aos livros, como uma forma de refúgio para conseguir ter sonhos e vontade de viver, mesmo se sentindo tão sozinha na própria casa com a mãe e as irmãs do lado. A que mais queria o apoio e compreensão da mãe para poder sair de casa e ir atrás dos seus sonhos, mas nunca recebeu apoio e compreensão em casa. A que nunca conseguiu se entregar de verdade a nada ou ninguém para ser feliz e que quisesse fazê-la bem. A que sempre quis se esconder do mundo e ao mesmo tempo queria atenção e carinho de todo mundo. A que mais se sente confusa e perdida desde que perdeu o avô, quando ainda era criança. A que queria ser "louca" como a irmã do meio e sair de casa, mas também queria ser como a irmã mais velha, fazer faculdade e continuar na sua cidade. A que queria ter liberdade e independência para poder se arriscar, se aventurar, fazer o que tivesse vontade e principalmente, depender apenas de si para ir onde queria e pagar o que queria. A que menos sabia o que fazer da sua vida e ao mesmo tempo queria fazer tudo, mas acabando fazendo nada. A que mais implorava por atenção dos amigos para não se sentir só, já que isso era o que mais a machucava. A que mais se arrepende de todas as brigas e todos os desentendimentos com as pessoas que ela mais ama e por ter afastado as mesmas. A que pede desculpa mesmo não sabendo exatamente o porquê, apenas pra dizer que não queria que aquilo acontecesse. A que tá desistindo de si mesma e da vida, enquanto não tem mais forças para tentar mudar as coisas e que só fica em casa, chorando, se culpando por tudo e simplesmente desperdiçando seus dias.

E a que escreve essas palavras.

Com carinho,

De eu mesma,

@malinesg

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